
A oitava edição da feira reuniu 524 expositores e 24.148 visitantes, afirmando o dinamismo da indústria têxtil turca que, apesar de desafios globais, registou um crescimento nas exportações e forte procura em mercados emergentes.
Realizada entre 10 e 12 de setembro, a Texhibition registou um aumento de 6,7% no total de visitantes e de 16,9% nos compradores internacionais, face à edição homóloga do ano passado, estes últimos oriundos da Europa (34,9%), Médio Oriente (29,2%), Ásia (19,6%), Norte de África (11,4%), América do Norte (2,5%), e outras regiões (2,4%).
Apesar de um cenário global desafiante, marcado por custos de produção elevados e concorrência crescente, as exportações de têxteis e matérias-primas atingiram, nos primeiros oito meses de 2025, 7,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 6,4 mil milhões de euros), uma subida de 1,2% em termos homólogos, representando 4,3% das exportações totais do país. Especificamente, as exportações turcas para África registaram uma subida de 19,1% e de 26% para a Ásia.
No entanto, Ahmet Öksüz, presidente da Associação de Exportadores Têxteis de Istambul (İTHİB), admite as dificuldades, apontando que «muitas vezes vendemos pelo custo ou até abaixo dele para manter a competitividade».
A realidade dos produtores
Entre os expositores, várias empresas turcas reforçaram a presença da feira, destacando o alcance internacional e a capacidade de adaptação da indústria.
Süleyman İpek, diretor de vendas e de marketing da Palmiye Tekstil, produtora que fornece têxteis a marcas como a Zara e a Marks & Spencer, sublinha a vantagem geográfica do país. A empresa exporta para a Bulgária, Espanha, EUA, Marrocos, Reino Unido e Roménia, e Süleyman İpek assume que as estreitas ligações da Turquia aos mercados vizinhos da Europa e do Médio Oriente e as boas relações com os EUA são um fator essencial. Com uma produção anual de 36 milhões de metros de têxteis, a Palmiye Tekstil aposta também na sustentabilidade, tendo inaugurado uma unidade de reciclagem que permite reutilizar 70% da água no processo produtivo.
A Bossa, com 75 anos de atividade e especializada em denim e têxteis para vestuário desportivo, emprega 1.500 trabalhadores e mantém toda a produção na Turquia. Yiğit Küçük, responsável de vendas da empresa, explica que, apesar da transferência de alguma produção de vestuário para o Egito por parte de concorrentes, a Bossa não planeia seguir esse caminho. Contudo, reconhece os desafios decorrentes dos custos laborais, dado que o salário mínimo do país, de 26005,5 liras turcas (cerca de 534,8 euros), é significativamente superior ao dos países do Norte de África.
Já a Kıvanç, produtora de tecidos, direciona o seu posicionamento para grandes marcas internacionais, como a Hugo Boss, Zara e Banana Republic. E. Engin Emanet, diretor comercial, revela que a empresa enfrenta dificuldades para responder às crescentes exigências de sustentabilidade. «Por serem marcas enormes, o mercado está a seguir as suas necessidades. Até mesmo os produtores de fibras e fios estão a ouvir estes clientes e todos os mercados estão a tentar atingir essas metas de sustentabilidade», aponta E. Engin Emanet, apesar de reconhecer que é um percurso difícil porque «mesmo que eles estejam a pedir matérias-primas caras, eles querem produtos finais mais baratos».
representando 70% da produção, com pedidos mínimos de mil metros, o que dificulta a relação com clientes de menor dimensão. Por isso, em relação à Texhibition, a presença na feira é sobretudo estratégica, «simplesmente para termos aqui o nosso nome», indica o diretor de vendas da Kıvanç. «Esta feira tem clientes que pedem entre 300 metros a 400 metros de tecido, o que não é rentável para nós. Como somos uma empresa vertical, é muito difícil produzir menos de 1.000 metros. Portanto, é preciso ser uma marca para comprar a partir desse ponto. Esse é o problema para nós nesta feira», acrescenta. Apesar do contexto económico desafiante, a Kıvanç espera fechar 2025 com um crescimento de 10% a 15% face a 2024.
A próxima edição da Texhibition Istanbul está agendada para 4 a 6 de março de 2026.
https://portugaltextil.com/texhibition-revela-otimismo-apesar-das-dificuldades/